REVOLUÇÃO PAULISTA |
Julho, 77 anos. A Revolução de 32 foi o grito de Liberdade sufocado na garganta dos paulistas, foi a luta de São Paulo por uma nova Constituição, porque Getulio Vargas não cumpriu a promessa de fazê-la, em 1930, quando assumiu o poder.
Os paulistas esperaram até 25 de janeiro de 1931, daí começaram o movimento de protesto e os estudantes das faculdades saíram à s ruas, embalados pelos versos: "Quando se sente bater No peito a heróica pancada, Deixa-se a folha dobrada, Depois se vai morrer" e, na noite de 23 de maio de 1932, se dirigiram à sede do Partido getulista, na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República e, porque estava fechada, tentaram com uma escada entrar pela janela, quando, então, tombaram metralhados, de cima para baixo, os jovens Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, de cujas iniciais nasceu a sigla revolucionária dos paulistas MMDC. Amadeu Martins morreu depois com mais outros dois. A Revolução se espalhou pelo Estado, e mais 12 estudantes do Batalhão Universitário 14 de Julho morreram no fronte de Itararé, a Batalha que não aconteceu. As mulheres foram gloriosas. No comício da Praça da Sé e pelas ruas da cidade, com os braços cruzados sobre o peito, elas gritavam: "São Paulo é dos paulistas". Algumas também foram para os campos de batalha. A primeira combatente foi nhá Chica Messias, de Itu, e lhe perguntaram por que ia para a luta: - Pra defender meu Estado e defender meus meninos. Elas doaram suas alianças, fizeram mais de 600 mil fardas, além de gorros, luvas e meias, porque naquele mês de julho o frio era intenso; distribuíram mais de 120 mil refeições nas casas dos revolucionários. A Revolução era nacional, mas tornou-se paulista no dia 09 de julho, porque São Paulo ficou sozinho, foi traído. Perdeu a batalha das armas, mas glorificou-se nos seus ideais de liberdade. Não foi só a traição, a falta de armas era tão grande que, nas trincheiras de Itararé, quando os da frente paravam de atirar, os do lado começavam a bater as matracas, cujo barulho imitava rajadas de metralhadora. São Paulo lutou com 44 canhões e 6 aviões contra 250 canhões, 24 aviões, e mais a Marinha. Cansados os paulistas depõem as armas em 1.º de outubro de 1932, deixando 1.037 feridos e 830 mortos, quase o dobro dos que morreram na 2.ª Guerra Mundial. Lá longe, no exílio, Ibrahim Nobre, o grande tribuno da Revolução, disse: "Podem tirar a gente do coração da Pátria, mas não se tira a Pátria do coração da gente". No aniversário da Revolução Paulista, o poeta Guilherme de Almeida, autor do brasão na bandeira de São Paulo, "Non ducor, duco", cantou em seus versos: Bandeira da minha terra, Bandeira das treze listas, São treze lanças de guerra, Cercando o chão dos paulistas! Pedro Mercadante Leite do Canto pcmercadante@ig.com.br |